A seguir, entrevista realizada com Anocha Suwichakornpong, homenageada pela mostra Foco do 6° Olhar de Cinema – Festival Internacional de Curitiba. Laís Ferreira: Em seus filmes, vemos, recorrentemente, cenas de trabalho no cotidiano. Em Estrangeiro, nós assistimos empregados em uma fábrica voltada para frutos …
Categoria: Coberturas de festivais
Como estar próximo de quem amamos?
Ao realizarem um documentário em torno da vida e da obra do cineasta Luiz Rosemberg Filho, os diretores Cavi Borges e Christian Caselli optaram por escapar do modelo tradicional dos depoimentos e, ao mergulhar no universo cinematográfico do diretor retratado, …
Olhar para duas raridades
As exibições dos longas-metragens É um Caso de Polícia! (1959) e Um é Pouco, Dois é Bom (1970) possibilitaram aos espectadores da 12ª Cine OP – Mostra de Cinema de Ouro Preto conhecer dois títulos raros do cinema nacional, com …
Ceder ou resistir?
Em um primeiro olhar, parece ser curioso encontrar o último longa-metragem de Ana Carolina, A Primeira Missa ou Tristes Tropeços, Enganos e Urucum (2014), dentro da programação da mostra histórica da 12ª Cine OP – Mostra de Cinema de Ouro …
Invisibilidades de uma história a ser contada
Pensar um recorte da historiografia do cinema brasileiro a partir dos filmes dirigidos por mulheres é considerar a invisibilidade de boa parte desta produção. Não apenas pelo fato de que a circulação, a exibição e a pesquisa em torno da …
Não se filma impunemente
Como filmar o outro sem dominá-lo nem reduzi-lo? Como dar conta da força de um combate, de uma reivindicação de justiça e de dignidade, da riqueza de uma cultura, da singularidade de uma prática, sem caricaturá-las, sem traí-las com uma …
Não nos afastemos muito: sobre “Espelho negro” e “Dao Khanong”
O cinema talvez seja um espelho passível de movimento, em que os encontros – com os outros, consigo – ainda se façam possíveis. Nesse caso, o tempo é a variância principal. No breve curta Espelho negro (Black Mirror, 2008), de Anocha Suwichakornpong, …
Uma imagem que se espelha: sobre “Anoitecer”, “Almoço” e “Como. Amor. Verdadeiro”
No início de Anoitecer (Nightfall, 2016), de Anocha Suwichakornpong, vemos uma mulher que encosta a superfície de sua mãos sobre um espelho. Passamos a ver a imagem de um corpo e a imagem de um reflexo: estão ambas enquadradas dentro …
A poeira das estrelas: o cotidiano em “Estrangeiro” e “História mundana”
No início de Estrangeiro (Pohn talay, 2012), de Anocha Suwichakornpong, vemos uma mulher imigrante trabalhando em uma fábrica com pescados. Enquanto trabalha, o grupo de operários conversa sobre uma série assistida na noite anterior. Uma das imigrantes, porém, parece irrequieta. …
“Lá” é um lugar imaginado
Possivelmente, a imagem de um lugar nunca será esse lugar. Nem a imagem do amor ou da ausência poderão ser esses sentimentos: os índices que empregamos apontam, guardam uma parte do que isso foi. No entanto, não são a própria …
Quantos afluentes desaguam num rio?
O que pode um rio no universo dos homens? O que significa para um rio nascer, ir em direção à foz, receber os afluentes? O percurso de um rio, a bacia hidrográfica a qual pertence, é um dos elementos responsáveis …
Nada mais extraordinário que o cotidiano
Em uma das primeiras sequências de Nyo vweta nafta (2017), de Ico Costa, vemos um casal abraçado, andando de moto por Moçambique. Enquanto transitam, o homem e a mulher conversam sobre o futuro, sobre o que é possível esperar dos dias …
Como (e onde) crescem os meninos-homens em “A família”
Em uma sequência de A família (La familia,2017)1, de Gustavo Rondón, vemos pai e filho no interior de um bar. Depois de um dia de trabalho e de uma tentativa frustrada de roubo de uma garrafa de bebida ao final …
“Corpo delito” e a liberdade apesar das grades
“Para saltar de páraquedas, teria que ser de um prédio mais alto”. A frase que encerra Corpo delito (2017), em um diálogo entre os dois personagens principais, parece metaforizar os sentidos de liberdade e reinserção social abordados pelo filme. E, …
Amar não é um gesto leviano ou carta-resposta a Marcelo Ikeda
Para mim a perda política é antes de tudo a perda de si, a perda de sua cólera assim como a de sua doçura, a perda de seu ódio, de sua faculdade de odiar assim como a de sua faculdade …
“Subybaya” e a autossuficiência no cinema
“Somos hoje uma indústria sem chaminés, embora se fume muitos charutos”. (Jairo Ferreira). Construir um filme que se pretende contestador e autossuficiente é assumir para si o conservadorismo do mundo. No regime de imagens e política contemporânea, a lógica é …
Caminhar, persistir, acreditar: “A canção do asfalto”, “Restos”, “Estado itinerante” e a opressão do urbano
Estar no espaço urbano é estar confinado – e estar em trânsito. Em A canção do asfalto (2016), de Pedro Giongo, Restos (2016), de Renato Gaiarsa e Estado itinerante (2016), de Ana Carolina Soares, o mundo das cidades oprime, ao …
“Um filme de cinema” e a realidade fabulada
O cinema surge como escrita da luz. Nasce pendular entre dois movimentos: o avançar das descobertas óticas e a vontade de fazer ver a partir de invenções. Do gesto dos irmãos Lumière em registrar planos fixos e, por meio disso, …
A delicadeza da terra, a descoberta do mar: “Homem-peixe” e a invenção do mundo
“E o cinema, vejo muito bem porque o adotei: para que ele me adotasse de volta. Para que ele me ensinasse a perceber, incansavelmente pelo olhar, a que distância de mim começa o outro”. Serge Daney “Perto de muita água, …
O risco do voyeur em “Baronesa”
A política advém quando aqueles que “não têm” tempo tomam esse tempo necessário para se colocar como habitantes de um espaço comum e para demonstrar que sim, suas bocas emitem uma palavra que enuncia algo do comum e não apenas …